sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Enxaqueca, à luz dos conhecimentos atuais

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esculpe-me pelo trocadilho.... mas sabe aquela sensação de que uma luz (seja do sol ou mesmo a daquele cômodo bem iluminado) piora a dor de cabeça? Pois é, essa é uma experiência por que passam muitas das pessoas que sofrem de enxaqueca. E agora a ciência começa a desvendar o porquê deste acontecimento. Veja nas linhas a seguir uma breve descrição do estudo que levou a esta conclusão.

De acordo com estudos da Universidade de Harvard, liderado por Rami Burstein, professor de anestesia and medicina de tratamento intensivo do Beth Israel Deaconess Medical Centre, em Boston, EUA, foram provados e desvendados os motivos de a luz piorar a enxaqueca - a via visual está realmente envolvida neste processo que é chamado de sensibilidade à luz ou fotofobia.

Na pesquisa, foram feitos dois grupos de participantes (ambos cegos e enxaquecosos): o primeiro era totalmente cego (tanto para imagens como para percepção de luminosidade), devido a doenças oculares como câncer de retina e glaucoma; já o outro grupo, cego por doenças degenerativas da retina (p.ex.: retinite pigmentosa), não percebia imagens mas era provido de percepção luminosa. Logo, o segundo grupo dispunha de um ciclo sono-vigília íntegro, pelo fato de saber quando é dia e quando é noite, mesmo sem oficialmente ter o poder de enxergar. Assim, pacientes deste último grupo descreviam intensificação da dor de cabeça quando eram expostos à luz, particularmente com comprimentos de onda azul ou cinza, o que indica que o mecanismo da fotofobia deve envolver o nervo óptico, que transportaria sinais da luminosidade ao cérebro.

Mais especificamente, a suspeita recai sobre fotorreceptores retinianos contendo melanopsina (que ajudam no controle biológico das funções do sono e da vigília), uma vez que eles são os únicos receptores para luz funcionantes na retina dos cegos do segundo grupo. Esta evidência foi corroborada por um teste com eletrodos instalados nestes "neurônios da enxaqueca", onde se mostrou que a estimulação destes receptores gerou sinais com o mesmo trajeto daquele feito pela fotoestimulação.

Acredita-se que a enxaqueca se desenvolva por irritação meníngea (meninges são as membranas que recobrem o sistema nervoso central), o que estimula receptores para dor e desencadeia uma série de sintomas de forma prolongada, fato muito conhecido dos portadores da enfermidade. Outro fato curioso que foi evidenciado na pesquisa é o de que os neurônios fotoestimulados permanecem assim por um tempo, mesmo com a interrupção da incidência de luz, o que explicaria a intensificação da cefaléia segundos após a exposição à luz e a permanência da dor mesmo após ficar alguns minutos na escuridão.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Parar de fumar aumenta risco de diabetes

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alma, calma... coloquei esse título só pra chamar a atenção, mas confesso que fiquei momentaneamente alarmado quando li o título desta matéria: Giving up smoking 'raises diabetes risk', publicada ontem no site da BBC News. Esse é o clássico atrativo das manchetes, que sem querer querendo (desculpe pelo trocadilho) atraem nossa atenção fazendo com que tenhamos opinião e julgamentos antes mesmo de lermos a matéria.

Mas, enfim, vamos ao que interessa: à matéria. De acordo com um estudo norte-americano, que acompanhou mais de 10 mil pacientes por 17 anos, ficou evidenciado que ao parar de fumar, especialmente nos primeiros 3 anos se comparados aos ainda fumantes (ou 6 anos, em relação aos não fumentes), a pessoa tem uma chance aumentada de desenvolver o diabetes melito tipo II. Mas claro que essa descoberta não vem para auxiliar o fumante a ter mais uma desculpa para continuar seu vício, muito pelo contrário: é mais uma evidência da importância do acompanhamento do paciente que parou de fumar, isto é, o seguimento do ex-fumante é tão importante quanto fazê-lo parar de fumar.

Isso tudo se justifica pelo sinal clássico dos ex-tabagistas: o ganho de peso. Esse seria o vilão da história, pois ao descontar na comida, o ex-fumante sobrecarrega o organismo com aportes de nutrientes em medidas as quais o corpo não estava acostumado, especialmente de carboidratos, que geralmente compõem a maior parte do subsídio nutricional diário de uma pessoa.

Mas que fique claro: as pessoas, depois de 10 anos pós-parada, têm o risco de desenvolver diabetes igual ao das que nunca fumaram. E, obviamente, a pessoa que parou de fumar se livra de outros tantos problemas relacionados ao cigarro, que vão desde patologias vasculares até problemas decorrentes de tumores.

Assim, fica evidente a necessidade de o profissional de saúde (e qualquer um que esteja ajudando alguém a parar de fumar) de salientar a importância da prática de exercícios e da adoção de uma dieta balanceada, sem exageros, para que o controle do peso faça com que a suspensão do tabagismo realmente traga apenas os benefícios tão conhecidos por todos (que não são poucos).

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Aniversário do Blog

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nfim, chega o dia em que o Blog completa seu primeiro ano de existência (de muitos, assim espero!). Com alguns momentos de inspiração, outros nem tanto... algumas ausências e muitas mudanças, o In: Utilidade Pública chega ao final de um ano em saldo positivo, feliz pelos comentários e atenção recebidos, sentindo que o objetivo de informar, expor opiniões e pensamentos e claro, de discutir sobre o que acontece no dia-a-dia, foi cumprido.

Sem mais delongas, desejo a todos um ótimo 2010 e que realizem tudo o que foi programado para o ano que inicia.

Muito obrigado... e voltem sempre!

Um grande abraço,

Nuno de Mattos Capeletti