domingo, 15 de março de 2009

Religião se discute!

A

o comentar no blog da Bia, Política Chique, acabou ressurgindo minha vontade de discutir um tema espinhoso: a religião. Sei que muitos são daquela opinião de que futebol, religião e política são coisas indiscutíveis... mas para mim, isso não é bem assim.

Acredito que fatos como o aborto da menina de 9 anos, que gerou excomunhão de n pessoas, poderia servir de motivo para as pessoas repensarem suas convicções. Não pretendo converter ninguém para um pensamento semelhante ao meu, mas estou apenas suprindo uma vontade que é a origem deste blog: expor ideias (agora sem acento!).

Como postei no supracitado blog, fico indignado com o ensino de religião (no caso, católica) em escolas ditas de um estado laico. Não discuto aqui nenhuma corrente religiosa em especial, até porque tenho minhas discordâncias com a base de todas elas: o tal "deus". Não quero ser entendido aqui como alguém que está ridicularizando a fé das pessoas, apenas quero mostrar que falta discussão acerca dessa crença.

Como vivemos em um país com declarada liberdade de expressão, vejo, contraditoriamente, muita imposição da fé sobre todos, o que torna as pessoas incapazes de pensar se realmente acreditam naquilo que está sendo dito. Serei mais claro: ao nascermos já há na sociedade (e dentro do próprio lar) uma tendência religiosa ou um jeito de se acreditar num ser superior, e obviamente isso é passado ao filho (ou filha, como quiser). Quer um exemplo disto? Veja os pais levando crianças para as igrejas e ensinando-lhes ditos que nem mesmo os mais velhos sabem o querem dizer (querem mais autoritarismo do que impor um pensamento a crianças, que nem têm o conhecimento necessário pra julgar o que é ensinado?). No entanto, os pais se consideram liberais no momento em que se dispõem a aceitar qualquer linha religiosa que o filho venha a tomar, mas se esquecem de que não deram a chance de ele pensar na possibilidade de nem sequer acreditar em deus. Então, creio que desde o nascimento, sofremos uma limitação do conhecimento (e da liberdade), afinal, na questão religiosa, deveríamos partir de uma etapa anterior da qual normalmente partimos, isto é, se somos ensinados que existe um deus e que a escolha da religião fica por nossa conta, seria necessário que o nosso "banco de dados" começasse a processar as informações um estágio antes: questionando a crença que está na família (resumindo, questionando a existência de deus).

É por isso que a fé se tornou algo "indiscutível", as pessoas são criadas com a mentalidade dos seus geradores e de sua sociedade: de que deus existe e ponto final. Por isso é tão difícil achar um ateu declarado, já que o ateu só vira ateu depois de ter a liberdade e a consciência de se perguntar "Espere aí! Porque eu acredito em deus? Só porque me falaram que isso é verdade?". Nesse momento vejo que concordo com Richard Dawkins quando ele diz que a fé e a ciência não podem coexistir: claro, se a pessoa realmente for racional e acreditar em evidências (o que prega a ciência) dificilmente acreditará em algo que nunca se vê e não há provas de sua existência e influência.

Finalmente, acredito que a fé é um meio pelo qual as pessoas encontram uma certa segurança, pois todos temos medo do que não conhecemos (ou do que não podemos controlar conscientemente), de não termos um propósito para viver ou mesmo de não acharmos uma saída para algum problema. Afinal, não é a toa que o que as pessoas mais pedem em uma oração é esperança para enfrentar alguma adversidade. E não é ao acaso também o fato de muitas pessoas, ao rebaterem meus argumentos sobre o ateísmo, lançarem mão de argumentos como "Como tu explicas a origem do mundo?", "Como tu achas que tal pessoa sabia o que ia acontecer?" ou ainda "Porque algumas pessoas veem espíritos ou morrem em uma situação em que os que estavam junto não sofreram nada?" (clássico de depoimentos de passageiros que se atrasaram para um voo que cai logo depois de decolar). Creio que seja uma imedida vontade de ter de saciar sua dúvida, mesmo que seja com algo a qual não possa provar.

Como crente da ciência não descarto a existência de espíritos, seres de outros mundos ou da capacidade de alguns, por exemplos, falarem com mortos. Mas defendo com unhas e dentes no que há provas, e se algum dia a existência ou a influência de um ser supremo for demonstrada por a+b, aí sim, defenderei esta teoria com o mesmo fervor, mas até lá sou ateu, com muito orgulho.

Concordo que a fé possa trazer mais esperança e fazer com que tenhamos mais estímulo para lutar para a melhoria da sociedade, mas penso que antes disso deveríamos acreditar mais no poder que nós mesmos temos, afinal só rezar não basta é preciso fazer por onde.

E assim, termino este post, com o objetivo de colocar aquela pulguinha atrás da orelha e convido todos a comentarem, para que (de uma forma sadia e respeitosa, ok!?) possamos conversar sobre este tema, porque aqui, sim, religião se discute!

Ah, desculpo-me de antemão pela extensão do post, mas foi muito difícil colocar um pensamento em palavras. Espero, pelo menos, ter-me feito entender.

8 comentários:

Caroline Mendes disse...

Concordo em muitas partes da sua postagem. É verdade, muitos são "obrigados" a acreditar em algo, e a sociedade em geral têm preconceitos com a minoria. Se uma comunidade é religiosa, terá, com muita probabilidade, preconceitos com os que não participam da mesma fé. Isso sempre foi assim, mas pode mudar. Acho que o mais importante em se discutir religião, é ter respeito, e isso você mostrou claramente. É o primeiro passo para uma discussão sadia. =]

E foram tantas outras coisas que notei, mas fico por aqui. Muito boa a sua iniciativa, espero que as pessoas possam aproveitar-se do bom conteúdo que seu blog oferece. =]

Marina Melow disse...

Quem diz que religião não se discute, não sabe o que diz!
Posso passar horas discutindo sobre isso.
Religião é algo que causa e sempre causará grandes discussões!

Totalmente DISCUTÍVEL.

Vivian Sbrussi disse...

Oieeee!!!

passando rapidinho para te desejar uma ótima semaninha!!!!

t+

Ju disse...

Bom, eu já falei tanto sobre isso, conversei com tantas pessoas, e minha opinião não muda.

Acho que certas coisas relacionadas à religião são simplesmente lavagem cerebral, outras até que fazem algum sentido, e outras dependem do que cada um sente em relação a tal.

Eu, pelo menos, vivo feliz com minhas próprias crenças. E fico feliz em ver que cada vez mais pessoas estão caindo em certas realidades!
Mas, ainda há muitos por aí que seguem e tem fé naquilo que nem sabem bem o que é.

Indico o filme Zeitgeist. Muito bom para refletir!

Aproveito para te convidar a votar no blog "Mania de Escrever" que está na final do concurso OnBlog 2009. É só entrar em http://onblog.zip.net/ e participar da enquete. Agradeço sua colaboração!

Boa semana!

Thais Puga®. disse...

Também concordo que é discutível sim! ...

Mas acho que o mal, da maioria, dos religiosos
de verdade, falando do caso dessa menina,
é achar que ao estar punindo, está ajudando o mundo!

Carah! .. Como é que pode, um bispo pegar e sair excumungando...
Não é assim que funciona existem "regras" em todas religiões ... "uns tapinhas" são necessários em vários momentos, mas cada caso é um caso..

Um caso desses, sair tomando a ação masi radical que diz no "manual católico"...
Q issuh ... sejamos HUMANOS ...

Agora, como que essa menina vai recorrer a fé, se quando ela recorreu.. ela simplesmente foi recriminada, O que Deus deve representar agora na vida dela? ...

Acho que muitas da questões religiosas deveriam ser re-avaliadas... os tempos mudaram e as pessoas também...!

[[ há mais coisas que gostaria de dizer, mas
preciso colocar as idéias em ordem.. comentário
meio q com a mente perturbada! ]]

Ótimo blog, aliás a forma com que abordou o assunto.
Bjos.

Nuno de Mattos Capeletti disse...

Pois é Thais.. essa parte de juntar as idéias foi bem difícil pra mim, porque vem tanta coisa junto, tanta idéia... que pra articular tudo isso numa frase que se faça entender fica difícil.

Brigadão pelos comentários!

Moça do Fio disse...

Sim, você se fez ser entendido.

Jean Paul Sartre dizia que criamos (sim, de acordo com ele, o Senhor é uma criação dos homens) Deus para lhe atribuirmos a culpa de nossos insucessos.

Francamente, eu acredito piamente na existência d'Ele. Se isso é um delírio? Ah, dane-se!

Agora concordo plenamente quando você diz que cada um tem o direito a escolher a crença que quer seguir. Isso não pode ser determinado por pais, amigos, ou quem quer que seja.

Beijos.

Lorena Ramos disse...

comento depois tenho que sair..