sábado, 31 de janeiro de 2009

O poder da força

A

o ler uma reportagem da revista Superinteressante (Ernesto, edição 261, jan/2009), e principalmente os comentários de alguns leitores sobre a matéria, me fez pensar sobre as atitudes guerrilheiras tomadas por Che Guevara e companhia para alcançar seus ideiais.

A reportagem relata brevemente a trajetória de Che desde a Argentina até sua morte na Bolívia, passando pela tomada do poder em Cuba.

No entanto, houve muita discussão acerca dos meios que Guevara usara para obter o poder e consecutivo sucesso (e tornar-se um mito). Ressalta-se sua "crueldade", através de acusações de assassinatos sumários de pessoas contrárias à tomada do poder em Cuba pelos revolucionários. Há inclusive a comparação com Gandhi, que supostamente obtivera sucessos semelhantes de uma forma muito mais digna: a paz.

Escrevo este texto justamente por discordar da afirmação de que "os fins não justificam os meios", isto é, neste caso, que a melhora da sociedade não precisaria se estabelecer por meio da violência. Sejamos sinceros: é impossível haver concordância entre as pessoas com um objetivo comunista-socialista sem se fazer o uso da força, já que sempre haverão discordâncias no que tange os modos de administração do poder estabelecidos.

Sendo mais claro: para incutir nas pessoas que, para todos terem acesso aos serviços básicos e terem as mesmas chances de alcançar o desejado, é necessário que as diferenças interpessoais sejam postas em um segundo plano, sendo que para isso apenas o uso da força se fará eficaz, uma vez que, ao menos inicialmente, a vontade de um grupo tem de prevalecer... e no caso da feitura de uma sociedade comunista, os que deveriam guiar a revolução têm de ser os pertencentes ao grupo comunista. Pois, só assim, poderá haver a criação e a elucidação do princípio básico da vida igualitária: o pensamento no coletivo em primeiro lugar.

Portanto, vejo que o uso da força é a única forma de obrigar a sociedade a pensar e discutir (e não necessariamente concordar) sobre como se chegar a uma sociedade sem disparidades, pois estamos tão acostumados a ter a liberdade de escolher que acabamos não fazendo uso dela.

Um comentário:

Déia Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ disse...

Nuno, estou apaixonada pelo seu blog! Você escreve muito bem. Não deixe de atualizá-lo...estarei, sempre que possível aqui!

Bjus♥