quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

O jeitinho brasileiro ataca novamente!

É

nessa época do ano, de férias, festas e diversão que, sabidamente, a população brasileira é "abocanhada" em seu salário com os famosos presentes de início de ano: os aumentos. E não estou falando só de aumento de preços nas prateleiras do supermercado, mas também dos impostos e dos salários (dos governantes, é claro). Mas nesta época também é hora de trocar presentes de natal e fim de ano e de começar as compras do material escolar.


Falando nisso, sempre vem junto o estresse, seja da troca do produto que está com defeito, seja da lista de material abusiva fornecida pela escola. Por trás desse abuso e da falta de compromisso das empresas está, obviamente e mais uma vez, o jeitinho brasileiro. Sabe por quê?

Não é verdade que, muitas vezes (pra não dizer sempre), produto com defeito é sinônimo de estresse? Claro! Se não está fora da garantia ainda tem a espera, a papelada, enfim, toda aquela burocracia bem conhecida de todos... e pra quê? Pra acabar tudo do mesmo jeito: uma tentativa de conserto aqui outra ali... e raramente a troca efetiva do produto.

Isso acontece porque o brasileiro tem sempre um jeitinho de contornar as situações (e não quero ser chato insistindo neste é ponto, é que na verdade essa "manha" influencia tudo). Esse jeitinho, na legislação, é chamado de exceção.

Esta excessão é que desmoraliza tudo, afinal o brasileiro nunca se acostuma a cumprir regras, já que sempre há uma situação em que aquela regra não se aplica. Isto deixa em aberto uma lacuna poderosa no senso de dever do cidadão, que quando não preenchida, leva às atitudes cotidianas de "deixar passar": é o clássico "dessa vez passa, mas da próxima" (e todos sabem que as próximas vezes nunca serão punidas).

Olhe a constituição, por exemplo: o que mais há lá é excessão! Isso facilita mais quem está à margem da lei do que dentro dela, pois cria várias brechas pra se escapar da punição merecida. Pergunte a quem tem um processo em aberto na justiça: é de cansar ver o número de recursos e adendos que podem se interpor no decorrer do processo. É difícil dizer que isso beneficia quem cumpre as regras, uma vez que tem de se ter paciência para acompanhar o desenrolar de um processo cheio de obstáculos.

Então, devemos parar de arranjar desculpas e de tentar contornar as obrigações a serem cumpridas, além ter como costume a cobrança (seja junto ao Procon para produtos e serviços com problema, seja junto ao governo quanto a suas irregularidades), porque só assim criaremos o senso de responsabilidade e deixaremos pra trás o estigma da impunidade que impera desde sempre.

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