domingo, 11 de janeiro de 2009

Antes EU do que NÓS?

É

impossível deixar de comentar casos como o publicado no Jornal Zero Hora deste sábado: os símbolos do descaso com o dinheiro público.

Não quero entrar nas discussões com lugares-comuns como sempre ouvimos, mas as obras inacabadas retratadas na reportagem são realmente uma amostra de como o "jeitinho brasileiro" apenas piora as coisas (e não explicita a criatividad do povo, como se tenta difundir). Deixe eu explicar o que isso tem a ver.

Como muita gente já percebeu, os governantes são a cara do povo que o elege, ou seja, as "proezas" cometidas pelos líderes da nação são, no fundo, o retrato do que a maioria da população faria se estivesse no seu lugar. Digo isso porque o que mais é evidente na política (neste caso me refiro à brasileira, por questão de maior conhecimento e vivência) é o desleixo com a administração do dinheiro público.

E pensando sobre a origem deste descaso, não há outra resposta se não o conhecido jeitinho, que nada mais é do que a materialização da vontade do brasileiro de trangredir regras e leis, só que em maior escala. Explico melhor: o descaso com o dinheiro público representa a explicitação de um sentimento comum internamente ("jeitinho"): o individualismo. Este é o termo que resume e explica a corrupção e a não reclamação, de fato, das atitudes dos governantes, pois está criada no brasileiro a idéia de competitividade (característica do capitalismo) que deixa em segundo plano todo e qualquer sentimento de comunidade e companheirismo, onde o pensamento e a vontade individual prevalesce sobre o coletivo.

Sinto a necessidade ainda, de acrescentar um comentário mais relacionado à reportagem (mas que expressa o pensamento diário da maioria): ênfase às obras inacabadas são uma ótima forma de ilustrar o descuido (proposital, sem dúvida) com o orçamento do governo, porém devemos atentar para o fato de que isso não é o mais importante, já que o próprio ato de construir é, na realidade, uma forma exibicionista de se dizer ao povo: "Nós estamos trabalhando". E isso é o que mascara a incompentência de um governo, uma vez que os números e as obras são as coisas mais notadas pela população (e obviamente são usadas como argumentos na hora das eleições). Claro que devo fazer uma ressalva no que diz respeito a esta fonte (jornal), que sabidamente (pelos brasileiros esclarecidos) tem o hábito de salientar as obras e as estatísticas, principalmente quando em questão está um governo de direita... mas não nego que esta idéia fora esquecida nos textos da reportagem, dando lugar a um debate sério e imparcial... sorte nossa!

Fontes e Links
Brasil, o pais do desdém. Jornal Zero Hora (10/01/09), Caderno Cultura: subdividido em três reportagens:
Pontes rumo ao abismo
Raízes históricas do descaso brasileiro
"Há um estranhamento entre sociedade e Estado"

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