quarta-feira, 29 de junho de 2011

Não basta estar em forma

C

onforme indicado por um amigo, li uma notícia intrigante: segundo a reportagem, genes associados à boa condição física (deixando as pessoas magras) também estariam correlacionados com problemas cardíacos e diabetes tipo II. A descoberta do estudo recai justamente no fato de que tais doenças estão sabidamente associadas ao excesso de peso!

O estudo, publicado na revista Nature Genetics e realizdo pelo britânico Medical Research Council, aponta que o problema reside na defeituosa atuação de um gene (IRS1), que apesar de reduzider a gordura subcutânea, deixa a desejar na hora de retirá-la da volta de órgãos como fígado e coração - o que é um grande indicador de doença. E os homens foram tidos como mais afetados, segundo a pesquisa, que foi baseada em estudos genéticos de 76 mil pessoas.

Isso tudo indica que a predisposição a doenças metabólicas não é exclusividade dos obesos, o que é reforçado pela afirmação do diretor de pesquisas da entidade Diabetes UK, Iain Frame, quando diz que este estudo poderia esclarecer, ao menos em parte, o porquê de 20% dos portadores de diabetes tipo II terem peso considerado adequado.

O estudo vem ao encontro das últimas evidências científicas, que vêm reforçando a importância da correlação entre a localização da deposição de gordura e as doenças metabólicas, ou seja, corrobora com o fato de a chamada "gordura visceral" ser mais perigosa que a gordura "visível" (subcutânea).

Então, vamos botar pra quebrar no próximo almoço, certo? Errado, afinal estar em forma e comer bem ajudam sempre na hora de nos manter saudáveis, a gente tendo ou não os tais genes perigosos.

Fonte
G1

domingo, 19 de junho de 2011

A formatura

N

ão costumo escrever sobre coisas pessoais no blog, mas tive esta ideia hoje porque este está sendo o dia em que "a ficha caiu". Refiro-me a minha atual condição de formando. Ao conversar com outros colegas, estranhava-me a minha indiferença com o fato de estarmos nos formando em julho próximo. No entanto, eu sabia que este momento, no qual todos os sentimentos viriam à tona, chegaria. Tristeza, saudade, felicidade, arrependimento, nostalgia, satisfação, orgulho... tudo isso e muito mais misturado num turbilhão sem começo nem fim.

Isso tudo começou há pouco, ao rever fotos antigas da minha turma, muitas nas quais eu mesmo não estou, mas em todas, com certeza, onde minha saudade se soma. É incrível como o tempo passa rápido. E ele é mais rápido porque quando estamos bem nem o notamos, e quando estamos mal, o evitamos.

Infelizmente, o modelo de aprendizado nos fez dividir antes da verdadeira separação. Acabamos muitas vezes sem assunto com pessoas as quais ainda ontem eram quase irmãs. No entanto, não tenho dúvida de que apesar de todas as diferenças e desencontros, podemos tirar um saldo positivo de tudo, que nos levou a crescermos mais do que em todos os anos anteriores à faculdade.

Mas, enfim, está chegada a hora... o momento da despedida... O que me dá esperança é que nada acaba sem deixar marcas - e boas marcas por sinal... e nada acaba sem que algo novo comece, sem que novas portas se abram e novos caminhos se trilhem diante de nós. Porém, espero que apesar da distância que separará nossos caminhos, eles ainda, vez ou outra, se cruzem pra dizermos ao menos um 'olá' a quem dividimos uma parte tão importante de nossas vidas.

Parabéns a todos nós por chegarmos ao final de mais uma empreitada!
Parabéns ATM 2011/1 UFPel!
Sigam todos em frente, em busca de seus sonhos e orgulhem cada dia mais todos os que acolheram e apostaram em vocês!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Uma boa educação ainda é possível

U

ltimamente, estive pensando sobre um modo de melhorar a qualidade da educação e de haver igualdade de possibilidades entre os estudantes. É um tanto complicado achar uma fórmula mágica, afinal as causas para o caos na educação são inúmeras e as soluções, incertas e complexas.

Os Problemas

Fica até difícil enumerar os problemas em vista dos infindáveis fatores que influenciam de forma negativa a educação oferecida a uma população, especialmente em um país com tantos problemas estruturais como o Brasil. Afora todos os problemas sociais - que, apesar de certamente desestabilizarem o sistema educacional, não serão abordados aqui - pretendo focar este post em questões diretamente relacionadas, as quais resumidamente são as seguintes:
- má remuneração dos professores e sua falta de dedicação e organização;
- falta de empenho dos alunos;
- omissão e inversão dos valores por parte dos pais.

Que é absolutamente inaceitável o salário dedicado aos professores de nível fundamental e médio, isso todo mundo concorda. Assim, é inegável uma associação direta entre parca remuneração e baixa qualidade de trabalho. Isso sem falar nas más condições de trabalho enfrentadas pelos professores: salas de aula superlotadas, infraestrutura escolar precária e administradores (governo e, principalmente, secretários de educação e diretores de escola) despreparados, parciais e omissos.
Para a estes problemas, vejo dois motivos básicos: o governo, que tem por objetivo mostrar ao eleitorado que todos estão na escola - esquecendo (propositalmente) que quantidade não significa qualidade - e o efeito maléfico que o funcionalismo público traz a seus integrantes: estabilidade e cargos de confiança (aqueles baseados na indicação), o que, afinal, levou a uma acomodação e falta de organização dos professores, com consequente desunião da classe, o que gerou sua própria desvalorização, tanto no que tange à qualidade (baixa) das aulas como frente a população, que acabou perdendo a empatia antes existente frente a estes profissionais.

Além disso, boa parte dos alunos também não colaboram. E isso me faz pensar: será que todos nós nascemos para estudar, ou seja, será mesmo que o único jeito de sermos competentes e bem-sucedidos é pelo estudo formal (ensinos fundamental, médio e superior)? A cada dia que passa, tenho mais a convicção que não. Mas isso já é uma questão cultural, afinal é difícil não concordar que ao se estudar o conhecimento e o leque de possibildades se abrem; logo, é também difícil tirarmos da mente que um filho nosso deve, a todo custo, ser impelido a seguir estudando. Mas às vezes eu penso: será que, ao se deparar com alguém que, apesar dos estímulos, realmente demonstra não querer estudar, não seria melhor estimulá-lo a se qualificar através de atividades práticas? Neste sentido, os cursos de baixa complexidade, como os famosos profissionalizantes e técnicos me parecem hoje a melhor saída. Afinal, não precisamos de toda uma população com diploma de faculdade, mas sim, de um povo competente no que quer que faça.

Por fim, vejo a atitude dos pais com grande preocupação, afinal não é de hoje que vemos a transferência da responsabilidade da real Educação à escola. Quando falo Educação, quero dizer o ensinamento de princípios de ética e valores, uma tarefa que cabe aos pais, mas que está sendo, cada vez mais, deixado a cargo dos professores. Um exemplo clássico é do pai que só aparece na hora que seu filho pode ser reprovado, mas que passou o ano inteiro ausente de sua vida escolar, tanto para estimular o filho quanto para avaliar a qualidade da educação oferecida. Isso porque, infelizmente, temos o mau hábito de nos preocuparmos apenas com os resultados e não com os meios. Logo, não é à toa que alunos desmotivados, despreocupados e alheios ao que está sendo estudado são cada vez mais frequentes.

As (possíveis) Soluções

Bem, frente a tantos problemas (que obviamente são muitos mais que os expostos acima), as soluções são claramente outras tantas. Porém, imagino alguma luz visível no final do túnel, e uma delas seria um modo de padronização na educação, uniformização das metas a serem atingidas.
Pois, ninguém nunca se perguntou: por que há tanta discrepância entre escolas particulares e públicas, ou colégios de grandes centros e os de interior? Às vezes me pergunto se, paralelamente à resolução de questões básicas como o salário dos educadores, não seria importante nivelar por cima o que está sendo aprendido. Afinal, vemos todos os dias o governo exigindo que todos estejam na escola, chegando até ao cúmulo de incentivar (e atualmente até impedir) que os alunos não sejam reprovados em séries iniciais: isso sim, é nivelar por baixo a educação de um país.
Temos, sim, é que exigir qualidade dos serviços que estão sendo ofertados. E um meio, talvez utópico, mas que acho interessante, é uniformizando a educação, utilizando avaliações padronizadas para todo o país. Que tal, por exemplo, um estudante de oitava série de Roraima, fazer a mesma prova que um estudante de mesmo nível, mas morador de São Paulo? Assim, a população de uma dada região, ao ver de uma forma objetiva e concreta que os estudantes de sua região não têm condições de prestar uma prova sobre um conteúdo que deveria ter sido aprendido, poderá exigir mais dedicação dos educadores e do governo, no sentido de tornar os seus estudantes tão capazes e instruídos quanto os das outras regiões. Talvez esta ideia possa ser impraticável em algumas regiões, onde a infraestura é muito precária, mas acredito que nas regiões do país ditas desenvolvidas (sul e sudeste), isso já possa ser aplicado e avaliado. Dessa forma, associado ao investimento em valorização e qualificação dos professores, há uma chance de haver igualdade na competição pelo mercado de trabalho entre as diversas áreas do país.

Creio que nunca me estendi tanto em um post, mas achei necessário colocar este assunto tão complexo em pauta, afinal é inaceitável continuarmos permitindo e contribuindo com uma educação tão deficitária e desvalorizada como a que temos atualmente.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Livro: A Sombra do Vento

H

á tempos estou para reiniciar meu ciclo de postagens... mas sempre havia algo que adiava este momento.

Enfim, instantes após terminar a leitura de um dos melhores livros que já li - não digo o melhor porque reluto em considerar que alguma criação supere a minha tão adorada coleção de O Tempo e o Vento, de Erico Verissimo - senti-me praticamente na obrigação de expor esta obra: A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón, já muito conhecida de muitos, afinal são mais de 6,5 milhões de cópias vendidas segundo o anúncio da própria editora (Objetiva, sob o selo Suma de Letras).

Essa foi, sem dúvida, a leitura mais prazeirosa que tive de um livro, sobre os quais tenho que confessar que não li muitos para ser alguém respeitável para comparações, mas posso afirmar que este livro, como poucos, consegue atrair a atenção sempre, nunca deixando o ânimo do leitor abaixo do clímax.

Bem, com esta breve descrição abaixo, retirada do próprio site da editora, desejo sinceramente que todos que puderem - e quiserem - deixem-se levar por esta história tão cativante, uma história que nos dá, a cada final de capítulo, uma enorme vontade de iniciar imediatamente a página seguinte, a despeito do passar das horas.

"A Sombra do Vento é uma narrativa de ritmo eletrizante, escrita em uma prosa ora poética, ora irônica. O enredo mistura gêneros como o romance de aventuras de Alexandre Dumas, a novela gótica de Edgar Allan Poe e os folhetins amorosos de Victor Hugo. Ambientado na Barcelona franquista da primeira metade do século XX, entre os últimos raios de luz do modernismo e as trevas do pós-guerra, o romance de Zafón é uma obra sedutora, comovente e impossível de largar. Além de ser uma grandiosa homenagem ao poder místico dos livros, é um verdadeiro triunfo da arte de contar histórias."

Boa leitura!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Proposta inútil

R

ecentemente foi veiculada na mídia uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que prevê a inclusão do "direito à busca da felicidade" na Constituição Federal. Encabeçada pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF) , o novo texto, como exposto no site do próprio senador, tem como objetivo reforçar e ratificar em seu conceito a garantia dos direitos sociais básicos como fator decisivo para propiciar a busca da felicidade. Agora pergunto: pra quê? Por que perder tempo com essa frivolidade? Admiro-me de os governantes realmente levarem esta proposta a sério!

Ao ficar sabendo desta proposta, lembro-me da tão falada carta de autoria do mesmo senador que fora espalhada pelo país afora na época em que eu ainda prestava vestibular (cerca de 5-6 anos atrás), a qual apresentava um discurso dele sobre a nossa hegemonia sobre a Amazônia e sua contrariedade acerca de uma possível internacionalização desta região. Sendo assim, fico duplamente triste ao ver como uma pessoa que conseguiu proferir tão felizes palavras anteriormente, propõe uma emenda tão estúpida como esta sobre felicidade.

Para não cair em palavras rudes, creio que esta proposta é no mínimo sem utilidade, sendo assim não deveria nem sequer ter tomado forma fora da mente de seus criadores, quanto mais ser projetada à constituição. O interessante que os que defendem esta proposta comparam a situação em questão com questões básicas como saúde, educação e segurança, como se palavras bonitas fossem mudar esta realidade cruel e negligente. É uma pura perda de tempo! Vejo a veiculação desta proposta na mídia apenas como geradora de um deboche nacional frente ao assunto. Com tanta coisa que está errada no país (e em maior escala na esfera política), é revoltante ver que os deputados e senadores abrem brecha na pauta de discussões para um assunto tão menor, tão bobo, deixando de se concentrar no realmente interessa.

Os políticos participantes desta proposta, conforme informa o site da Câmara dos Deputados são os seguintes: Dep. Manuela d´Ávila (PCdoB-RS) (Autora da proposta na Câmara), Dep. Jair Bolsonaro (PP-RJ), Dep. Paulo Rubem Santiago (PDT-PE) e Sen. Cristovam Buarque (PDT-DF) (Autor da proposta no Senado).

domingo, 4 de julho de 2010

Proibição do aborto não é eficaz

E

stou há um bom tempo com esta reportagem arquivada nos rascunhos do blog, tinha a esquecido. Mas agora exponho-a, colocando assim mais um pouco de lenha na fogueira deste assunto tão polêmico que é o aborto*. Com o título Bans 'do not cut abortion rate', uma matéria publicada no site da BBC News em outubro do ano passado mostra que a legalização do aborto não aumenta de forma significativa a incidência deste tipo de procedimento (ou conduta, como desejar).

A pesquisa realizada pelo Instituto Guttmacher constatou que o aborto ocorre com taxas praticamente iguais entre locais que legalizam o ato e outros onde ele é altamente restrito a algumas condições. Ainda, evidenciou-se que o grande fator para uma queda verdadeira na taxa de abortamentos é o incremento no acesso aos métodos contraceptivos. Uma prova disto é o leste europeu, onde o aborto é tratado como uma forma de controle de natalidade, e onde foi evidenciado uma queda significativa na taxa de abortamento nesta última década, já que os contraceptivos estão sendo cada vez mais disponíveis à população.

O estudo foi desenvolvido em 197 países e encontrou uma diminuição global no número de abortos (de 45,5 milhões em 1995 para 41,6 milhões em 2003), a despeito do aumento da população mundial. Ao longo dos 10 anos do estudo, dezenove países tiveram liberalizações nas suas leis referentes ao aborto, comparadas com aumento das restrições em apenas três. É pertinente lembrar, no entanto, que 40% das mulheres vivem em países onde a restrições ao aborto são intensas.

Os pesquisadores notaram que a liberalização foi um fator-chave para a cessação da gravidez de uma forma segura, porém é evidente que, mesmo nos países onde o aborto é legalizado, a falta de disponibilidade e o custo são os maiores obstáculos a uma prática segura, o que força muitas mulheres a continuarem a fazer abortamento por vias clandestinas, tanto que anualmente cerca de 70 mil mulheres morrem e 5 milhões desenvolvem complicações em virtude de abortos sem condições mínimas de segurança e higiene.

Ainda há a questão da 'exportação' dos dados, ou seja, a distorção nos números de abortamentos, uma vez que mulheres muitas vezes viajam para outros locais para abortarem em virtude de este ato não ser permitido no seu país de origem, o que também geralmente põe a vida destas mulheres em risco.

Dessa forma, fica claro que o simples ato de liberar ou proibir o aborto não é o suficiente para a diminuir o número de gestações indesejadas. A melhor conduta passa pelo investimento no planejamento familiar, desde a facilitação do acesso aos contraceptivos até o estímulo à conscientização da população da importância que a geração de uma nova vida tem sobre todos os aspectos da vida de uma família, tanto financeiros como psicológicos.

* O termo aborto não é o correto a ser usado, uma vez que o certo seria abortamento (aborto é, na verdade, o resultado de um abortamento, ou seja, o embrião/feto em si). Porém, com o intuito de facilitar a comunicação, ambos os termos são aqui usados como sinônimos.

domingo, 6 de junho de 2010

Sono da sabedoria

S

ua memória pode ser melhorada com uma sonequinha após o estudo, pelo menos é isso que foi evidenciado em um estudo publicado no jornal acadêmico Cell Biology. Segundo a pesquisa, o sonho pode ser um sinal de que nosso cérebro está trabalhando firme no nosso sono, uma vez que foi constatado que as pessoas que sonhavam se saíam melhores nas tarefas ao acordar, se comparado às que não dormiam ou sonhavam.

O doutor Robert Stickgold, da Escola de Medician de Harvard, um dos autores da pesquisa, disse: "Os sonhos podem refletir a tentativa do cérebro em encontrar associações para as memórias que podem fazê-las mais úteis no futuro"

A questão agora é saber como tirar vantagem deste fenômeno de forma significativa para melhorar o aprendizado e a memória